Bom dia, amigas,
Primeiramente, em nosso diálogo, depois de um contato tão intenso de 11h 30min de aula, transcrevo uma poesia belíssima de Cecília Meireles que iluminou minha vida hoje, para iluminar nosso diálogo, no trato de questões de linguagem e poder.
Noções
Cecília Meireles
Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos.
Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a
atinge.
Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se
encontram.
Virei-me sobre a minha própria experiência, e contemplei-a.
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.
Ó meu Deus, isto é minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e
precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera...
Para facilitar a leitura de Certeau, envio-lhes alguns links:
Durante quatro anos, o fotógrafo Marcos Prado registrou em
fotos o cotidiano de Estamira, mulher que vive de recolher lixo em Gramacho,
zona norte do Rio de Janeiro. Decidiu então filmar a personagem a quem conhecia
mais profundamente. O documentário abre mostrando o longo caminho que Estamira
faz de sua casa até o lixão, e Marcos Prado, produtor de Ônibus 174, utiliza
fotografia preto-e-branco, bastante granulada. Depois o fotógrafo entra com a
câmera no lixão e o filme explode em cenas belíssimas, apesar do ambiente que
procura reproduzir. Ao longo do filme, Estamira fala incessantemente, em um
discurso que às vezes parece alucinado, sem sentido, em outros de profunda
reflexão sobre o mundo e o ambiente que a cerca (LUCENA, 2007, p. 73).
GAIOLAS E ASAS - Rubem Alves
Este texto de Rubem Alves é muito lindo. Espero que gostem.